Tudo o que você precisa saber sobre a Wiz: parte 2

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Tudo o que você precisa saber sobre a Wiz

Olá Poupadores e Poupadoras, vamos dar continuidade à análise da distribuidora de seguros, Wiz. Sempre recomendamos que você invista de forma fundamentada, e por isso trouxemos mais informações para você.

Para conferir a primeira parte, clique aqui. Neste artigo vamos falar dos resultados e expectativas sobre o futuro da empresa.

Por mais que ela tenha feito diversas aquisições, isso ainda representa uma pequena parte do resultado total da Wiz. São operações que vêm tendo um bom crescimento e, no médio e longo prazo, serão muito relevantes.

Para exemplificar, podemos pegar um dos cases mais promissores, o Inter Seguros, o qual o lucro líquido do 1T20 (1º trimestre de 2020) v.s. 1T19 (1º trimestre de 2019) cresceu 54,9%, embora ainda represente apenas 3% do lucro líquido.

Se juntarmos todas as operações totalmente fora do ambiente Caixa, elas representam 22% do faturamento. E se incluirmos os serviços prestado de backoffice, bem como atividades de gestão de documentos e terceirização de mão-de-obra especializada para a Caixa, contrato que vai durar pós 2021, chegamos a 30,2% do faturamento. A tendência é que a dependência com a Caixa seja cada vez menor, a fim de mitigar os riscos de boa parte do faturamento vir de um único contrato.

Tudo que falamos até agora diz respeito ao passado e ao presente da empresa, mas e o futuro?

Até fevereiro de 2021, a Wiz deve continuar diminuindo sua dependência do balcão da Caixa. E como percebemos, essa estratégia tem sido exitosa, visto que no 1T18 praticamente todo o faturamento vinha dos balcões da caixa e agora no 1T20, dois anos depois, corresponde a 69,80%, representado na imagem abaixo pelo Bancassurance.

Pós fevereiro de 2021, a Wiz poderá vencer ou não a licitação. Se porventura a Wiz perder o processo licitatório, a receita da empresa será fortemente impactada, mas não será os 69,80% da área Bancassurance. A receita não cairá nessa proporção porque é composta de comissionamento de novas vendas e pelo estoque das vendas passadas.

Imagine que a Wiz vendeu um seguro imobiliário há seis meses. Toda vez que o cliente paga uma parcela do seguro, a Wiz recebe comissionamento, até o cliente quitar o financiamento.

Felizmente, no 1T20, 46% da receita da área de Bancassurance veio do estoque. Então, mesmo sem fonte de novas vendas a Wiz ainda terá uma receita relevante de estoque por no mínimo quatro anos. Isso servirá como uma proteção enquanto a empresa busca novas receitas.

Nesse cenário, considero a queda por volta de 35%, permanecendo sem crescimento por um tempo, visto que teremos uma queda no estoque a cada trimestre. Isso será compensado pelo crescimento da receita das outras operações da empresa.

Caso a Wiz vença o processo licitatório, a empresa perderá as vendas do segmento habitacional, que não fará parte do processo licitatório. E além disso, as comissões dos demais segmentos devem ser menores do que no contrato atual, considerando que a competição diminua essas taxas.

Nesse cenário, é esperado incialmente receita menor na área de Bancassurance, pois vai ganhar menos comissionamento no mesmo volume de vendas. Porém a partir de então a empresa tende a ter um crescimento sustentável de receita na área, visto que vai continuar a vender os seguros da Caixa por um longo período.

Pessoalmente, acredito que as chances são mais favoráveis à Wiz vencer a licitação, visto que ela já atua no balcão da caixa e tenha uma visão melhor do negócio e provavelmente oferecerá a melhor proposta.

Pois bem, atualmente a Wiz é negociada por cerca de oito vezes o lucro. Olhando para o cenário pessimista, sem acesso ao balcão Caixa pós fevereiro de 2021, estimo que a Wiz tenha capacidade de lucrar 100% do seu valor atual nos próximos nove anos. Considerando mais um ano de crescimento, queda de 35% na receita em 2021, quatro anos de estoques e crescimento moderado nas demais operações da empresa. Nesse cenário, seria o equivalente a ter um retorno composto de 0,65% ao mês sobre o capital investido, o que não é o melhor negócio do mundo, mas ainda seria um bom negócio.

Por outro lado, no cenário otimista, considerando que vai continuar atuando no balcão da Caixa, o preço da ação poderá subir significativamente, visto que o tempo do contrato deverá ser de 10 anos (ainda não está definido), e a empresa continuará a trajetória de crescimento atual. Não me surpreenderia que a empresa dobrasse de valor e fosse negociada ao preço de R$ 20 reais, uma valorização bem interessante.

Além de tudo o que já foi dito, a Wiz é uma boa pagadora de dividendos e deve continuar assim, mesmo que reduza o percentual de distribuição para continuar a realizar mais investimentos. Sou acionista há dois anos e, de lá para cá, já recebi 20% de dividendos, baseado no meu custo de aquisição. A Wiz é a maior distribuidora de dividendos da minha carteira.

Considerando tudo isso, vejo a empresa, no momento, com pouco espaço para queda e muito espaço para ganho, uma relação que acho interessante porque coloca a probabilidade de sucesso aliada ao investidor. Compras abaixo de R$ 8 reais devem garantir boa margem de segurança, entre R$ 8 e R$12, enxergo como risco moderado, acima disso, sem a definição da continuidade junto à Caixa, prefiro ficar de fora.

É bom deixar claro que não é uma recomendação de compra ou venda. Apenas estou trazendo informações públicas, meu racional de investimento e expectativas. Sinta-se livre para discordar e fazer sua própria analise a partir das informações apresentadas.

Poupadores e Poupadoras, o que acharam dessa análise? Gostaram da empresa? Deixem um comentário.