Invista no que você conhece e te faz dormir em paz

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Nesta coluna, você vai acompanhar de perto a minha carteira de investimentos. Se quiser ver um resumo da minha jornada até agora, clique aqui.

A carteira teve uma rentabilidade de 1,44% em novembro e uma leve diminuição na exposição em ativos de renda variável.

O mês teve muita distribuição de rendimentos, chegando a R$ 631,19. Todo esse rendimento veio dos investimentos realizados, são juros e proventos dos fundos e ações que tenho na carteira de investimentos. Teve também ganho de capital com algumas vendas, mas o que move mesmo uma carteira previdenciária é a recorrência dos pagamentos mensais.

Continue lendo e acompanhe tudo isso em mais detalhes.

Renda Fixa vs. Renda Variável

De outubro para novembro o percentual em renda fixa subiu de 19,26% para 22,60% enquanto o de renda variável desceu de 80,74% para 77,40%.

O aumento em renda fixa ocorreu porque o índice Ibovespa, que funciona como termômetro do mercado acionário, subiu muito em outubro. Portanto, as empresas listadas em bolsa, de maneira geral, ficaram mais caras. Estrategicamente decidi aumentar minhas reservas na renda fixa aguardando oportunidades que possam surgir na renda variável.

Continuo com muitos recursos aplicados na bolsa de valores por acreditar que, a longo prazo, ela é mais rentável do que a renda fixa. Embora a volatilidade, para a maioria, seja um ponto bastante negativo.

Não existe uma proporção certa para todos. Cabe a cada um avaliar o quanto de risco deseja correr na renda variável.

Quando comecei, meu capital era 100% em renda fixa. Aos poucos fui investindo na renda variável e cheguei ao patamar atual, no qual me sinto confortável.

Uma dica aos iniciantes é começar pelo que conhece, confia e te faz dormir tranquilo.

Rentabilidade mensal

A rentabilidade mensal é medida ao levar em consideração a liquidação de todos os ativos, mais os rendimentos do mês. Para saber mais sobre o cálculo de rentabilidade.

Como boa parte da minha carteira de investimentos está em renda variável, isso traz uma expressiva variação mensal. Se deseja expor sua carteira a este tipo de investimento, se prepare mentalmente para encarar fortes emoções.

A rentabilidade de 1,44% não foi nada mau para um mês. A volatilidade diminuiu graças ao aumento do percentual em renda fixa, que gera apenas resultado positivo. Mas a carteira, de forma geral, segue se recuperando do tombo de maio causado pela greve dos caminhoneiros.

Durante o mês de novembro, os proventos recebidos em conta totalizaram R$ 631,19; contra R$ 41,17 do ano anterior. Crescimento de 1433,13%.

Carteira de Investimentos

Como vocês podem ver, minha carteira está bem pulverizada e atualmente possui 29 ativos. Boa parte deles em Fundos de Investimento Imobiliários (FII) e Ações.

A estratégia de novembro foi fortalecer os ativos que já estão na carteira. Tomando a decisão de vender alguns ativos e deixar a carteira mais enxuta para facilitar o gerenciamento.

Por isso novembro foi um mês de muitas movimentações.

Para começar, aumentei posição em Grazziotin (CGRA4), empresa de varejo que opera no sul do Brasil há quase 70 anos. A companhia conta com gestão familiar e sempre atuou de forma profissional ao longo de suas várias gerações. Dobrei minha posição acionária para fortalecer esse ativo. Foi uma tomada de decisão um pouco óbvia tendo em vista que a empresa ficou mais barata, mas continua firme em seus princípios.

Continuando a enxugar a carteira, decidi liquidar toda a minha posição em Copel (CPLE3 e CPLE6). O motivo foi a relação pouco atrativa entre risco e retorno. As despesas da empresa estavam crescendo e chegaram a um nível de endividamento que começou a me preocupar. Essa situação vem comprometendo as margens da empresa há algum tempo, sem contar os atrasos constantes em projetos. Somado a isso o fato de a empresa ser estatal, neste caso exijo desconto maior porque, na maioria das vezes, os interesses dos acionistas minoritários são deixados em segundo plano. Como as ações se valorizaram demais e os princípios se deterioraram, preferi realizar a venda. Posso voltar em um momento oportuno caso a empresa diminua o endividamento e melhore suas margens. Nesta operação, os ganhos foram de 22% líquidos em um período de aproximadamente 18 meses. Ganhos bem acima do CDI líquido do período de 9,12%.

Quando se fala em bolsa de valores, muitas pessoas têm medo de perder 100% do capital investido em uma ação, mas a verdade é que as chances de isso acontecer são mínimas. Na maioria dos casos, as empresas começam a dar sinais negativos por muito tempo, geralmente anos até chegarem à falência. Cabe ao investidor acompanhar e preservar boa parte do capital bem antes de uma falência. Não é o caso da Copel, que está longe de qualquer hipótese de falência a curto prazo.

Outra posição liquidada diz respeito à Smiles (SMLS3), empresa de fidelidade controlada pela Gol. Como já mencionado no mês anterior, a Gol anunciou intenção de incorporar a Smiles. Com isso, as ações caíram cerca de 30%. Acabei adquirindo posição porque a empresa era boa e o mercado tinha exagerado na queda. A estratégia deu certo, me desfiz das ações com ganho de mais de 11,44% em pouco menos de um mês. Ganhos bem acima do CDI líquido do período, que rendeu 0,34%. Diferente da Copel, a Smiles continua com seus princípios muito sólidos.

Com o dinheiro das vendas fui às compras de empresas que já estavam em minha carteira.

Com a venda da Copel, minha carteira ficou com baixíssima exposição ao setor elétrico, um dos mais perenes e rentáveis da bolsa. Com isso, direcionei boa parte do dinheiro para o setor elétrico, aumentando minha posição em AES Tietê (TIET11).

Outra ação que caiu bastante foi da empresa de Seguro Wiz S.A (WIZS3). O mercado segue precificando um cenário pessimista após a questão contratual com a Caixa Seguridade em que ficou firmado que a Wiz permanecerá como player exclusivo até, pelo menos, 2021. Outro fator que tem pressionado o preço da ação é a distribuição de dividendos que passou de trimestral para anual. Optei por aumentar minha posição nesse ativo pois acredito em uma renovação do contrato com a Caixa via licitação após 2021 e pelo preço continuar muito baixo. Agora a Wiz é uma das minhas maiores posições em carteira. Com isso, tenho que ser mais seletivo quanto a novos aportes para evitar a concentração e manter a diversificação da carteira. Nos preços atuais, em torno dos R$ 7,00, a estimativa dos dividendos é por volta dos 12% para 2019.

Outra empresa na qual aumentei consideravelmente minha posição foi a Sanepar (SAPR4). Empresa de Saneamento do Estado do Paraná. O motivo foi a empresa estar situada em um setor muito perene e por ser bem administrada, apesar de ser estatal. A empresa apresenta, trimestre a trimestre, lucros crescentes há mais de uma década. Um ótimo empreendimento segundo os critérios de Décio Bazin, que recomenda empresas com crescimento nos lucros, receitas previsíveis e dividendos acima de 6% a.a.

Seguindo com as compras, dobrei minha pequena posição em CSU System (CARD3). Uma das líderes no mercado brasileiro de prestação de serviços de alta tecnologia voltados ao consumo, relacionamento com clientes, processamento de transações eletrônicas, entre outros serviços. É uma outra ação que o mercado continua precificando abaixo do seu potencial, enquanto isso vou acumulando mais ações.

Comprei também um pouco de ações do Banco ABC (ABCB4). Um banco de nicho, rentável e bem administrado, além de ser controlado pelo Bank ABC e pelo Banco Central da Líbia, com mais de U$ 30 bilhões em ativos. Uma ótima ação para iniciantes, pois paga bons proventos, geralmente em junho e dezembro, e tem baixa volatilidade. Mais uma que está atrativa segundo os critérios de Décio Bazin.

Olhando para os fundos imobiliários, realizei apenas três operações: duas de compras e uma de venda.

Os fundos imobiliários subiram muito de outubro para cá, fazendo com que poucos fundos imobiliários estejam atrativos para investimento, considerando uma margem de segurança para diminuição de riscos.

Aumentei a minha posição em OUJP11, que é um dos poucos fundos imobiliários que continuam atrativos, pagando em média 0,70% a.m.

Um outro fundo imobiliário que comprei foi o VISC11. Este eu ainda não tinha na carteira. É mais um fundo do tipo tijolo, ou seja, investimento direto em imóveis. Neste caso, no setor de shoppings, que é o setor ao qual estou mais exposto na carteira de fundos imobiliários.

Por fim, me desfiz de uma parte do fundo EDGA11 por causa de expectativas de revisionais negativas nos preços dos contratos que serão renovados em 2019. E também pelo fato de o Rio de Janeiro passar por uma situação delicada. Assim minha expectativa é uma distribuição de rendimentos menor para 2019.  Até então o investimento valeu muito a pena, somando com os proventos, a rentabilidade líquida chegou a 180% do CDI do período.

Continuo deixando minha reserva para resgate imediato lá na NuConta, rendendo 100% do CDI sem burocracia. Sigo aguardando boas oportunidades de compra.

Para fechar!

A carteira continua concentrada em renda variável. A bolsa deve disparar em 2019 caso o presidente eleito venha a conseguir realizar as reformas necessárias para resolver as questões fiscais e, com isso, atrair investidores para nosso país voltar a crescer.

Dessa vez a gestão acabou sendo mais ativa. As vendas realizadas trouxeram bons resultados para a carteira, todas elas bem acima do CDI do período, valendo todo o risco tomado.

A carteira teve uma boa valorização de 1,44%.

Embora realize uma gestão ativa da minha carteira, isso não quer dizer que uma gestão passiva gere resultados ruins. Faço apenas por gostar de aprender e me envolver nesse universo.

Para a maioria das pessoas recomendo uma gestão passiva, aquela em que você reavalia os ativos em carteira em janelas de tempos maiores, geralmente semestrais ou anuais.

Para os investidores iniciantes na bolsa de valores recomendo a escolha de empresas boas e baratas. Com empresas boas quero dizer aquelas que possuem lucros crescentes, são resilientes, estão sem setores perenes e que pagam dividendos acima de 6% a.a.

Um bom critério para evitar comprar empresas muito caras é olhar a relação Preço sobre Lucro (P/L). Este indicador informa o tempo necessário, em anos, para os lucros da empresa ressarcirem o custo da compra da ação. Uma P/L de seis significa que, considerando os lucros dos últimos 12 meses, a empresa levaria seis anos para ressarcir o preço pago pela ação. Empresas com P/L muito alto é um forte indício de estar cara. Evite essas empresas, procure ações de empresas com P/L abaixo das 25 vezes.

É isso, Poupadores! Espero que este conteúdo te ajude a ver que é possível a qualquer um montar sua própria carteira de investimentos e ter uma ótima rentabilidade a longo prazo.

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Dito isso, queremos trazer cada vez mais conteúdo sobre investimentos para auxiliar você no gerenciamento da sua carteira e na construção de um patrimônio capaz de realizar os seus sonhos.