Quanto tempo de vida o sistema de repartição da previdência ainda tem?

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Olá Poupadores, hoje vamos falar sobre um tema muito recorrente e polêmico ultimamente: Reforma da Previdência.

Atualmente o país caminha para o sexto ano de déficit primário, ou seja, estamos gastando mais do que arrecadamos, mesmo sem considerar os pagamentos dos juros da dívida  pública. Nessa situação, o país precisa pegar mais dinheiro emprestado, o que ocasiona o aumento da dívida pública, que já nos é tão custosa.

É com esse cenário que o debate sobre reformar a Previdência veio à tona e ganhou a atenção de toda a população brasileira.

Um dos grandes problemas fiscais do Brasil está na previdência, que tem despesas maiores do que as receitas. Somente no ano de 2018 o déficit foi de quase 200 bilhões. Há muito tempo o país investe mais no passado, nos idosos, do que no futuro: em educação. Gastamos 10x mais com previdência do que com educação.

No Brasil temos um sistema previdenciário de repartição, que possui uma única conta. Nela, recebe-se dinheiro das pessoas que estão na ativa e, ao mesmo tempo, se subtrai dinheiro, destinado ao pagamento dos benefícios dos aposentados.

Um dos grandes problemas desse sistema previdenciário está na demografia. Para arcar com o benefício pago a um aposentado, é necessário que várias pessoas estejam trabalhando. Imagine o seguinte: há dez pessoas na ativa, cada uma contribui com R$ 100,00 para pagar o benefício de um aposentado no valor de R$ 1.000,00. Para pagarmos dois aposentados, precisaremos de 20 pessoas na ativa, e assim por diante.

Esse sistema funcionou no século XX, pois tínhamos muitas pessoas jovens trabalhando, poucos aposentados e pouco tempo de aposentadoria (vivia-se menos). Mas, felizmente o mundo mudou. Hoje temos menos filhos, vivemos mais e passamos mais tempo aposentados.

Ah, não podemos deixar de falar das desigualdades que esse sistema causa, afinal ele permite que uma pessoa contribua por pouco tempo e tenha muitos benefícios. Isso prejudica os demais, afinal a conta é conjunta. Não é à toa que os 20% mais ricos ficam com 41% dos recursos enquanto os 20% mais pobres ficam com apenas 3%.

Para resumir, o nosso sistema previdenciário atual é insustentável e uma fábrica de desigualdades.

O mundo mudou e é necessário que mudemos nosso sistema previdenciário junto para não atrasar ainda mais o desenvolvimento do país. Manter um sistema insustentável acaba gerando um rombo que, para ser tapado, precisa retirar dinheiro da educação, saúde, segurança e infraestrutura. Não sei se perceberam, mas todas essas áreas estão bem atrasadas no Brasil, coincidência?

O modelo de repartição ainda é bastante utilizado no mundo, porém pouco aplicado pela iniciativa privada por não garantir recursos suficientes para o pagamento dos benefícios no futuro, conforme os pontos já mencionados.

Mas não fique triste, o atual ministro da economia apresentou uma boa proposta da previdência que nos traz esperança na migração para um modelo de previdência sustentável, a capitalização.

Confesso que não é um caminho fácil e exigirá um grande esforço de todos.

No próximo artigo falaremos mais da reforma da previdência apresentada. Até mais, Poupadores.

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